SUPLEMENTAÇÃO APLICADA À RECUPERAÇÃO MUSCULAR:
DO PRINCÍPIO AOS DIAS ATUAIS




O tema recuperação muscular está associado a uma ampla cadeia de necessidades distintas. Desde patologias de regeneração muscular progressiva até restritas fases da periodização ligadas a performance.



A ativação do tecido muscular acontece pela capacidade de produzir elevados níveis de força. Já a incapacidade de gerar essa dinâmica ou potência muscular é denominada fadiga neuromuscular (ASCENSÃO et al., 2003). As causas desse desgaste durante a ativação são registradas nas regiões corticais e subcorticais (central e periférica).



Sendo um dos tópicos mais estudados na fisiologia, a fadiga está associada à manutenção de força e conceitualmente relacionada ao tipo, duração e intensidade do exercício, das condições ambientais para sua realização, das fibras musculares recrutadas e do nível de treino do indivíduo.



Ao incitar o tema recuperação muscular em um levantamento bibliográfico, é possível entender várias associações sobre o reabastecimento de sobstratos de energia no músculo e direcionamento dos métodos utilizados para a necessidade (COOPER et al., 2012). Relativo a isso, questiona-se qual impacto se espera e se a atenção está diretamente relacionada à funcionalidade do músculo, recrutamento e descanso do neurônio, perda progressiva de força e, indiretamente, foco na recuperação mecânica, inflamação e outras causalidades (NASSR et al., 2019:CLARKE et al., 2020).



Reestabelecer as funções normais do músculo diante do exercício é fator relevante ao desempenho físico. As estratégias utilizadas para auxiliar na otimização destas ações podem estar associadas a um planejamento nutricional e suplementar direcionado (ASCENSÃO et al., 2003:NASCIMENTO et al., 2007: FARTO, 2002). Por sua vez, as variáveis de tempo e fadiga controladas por meio da periodização acabam contribuindo para o cálculo nutricional individualizado, agregando o timing da adesão de suplementos coadjuvantes à melhora da performance.



A função e tipo de suplementos utilizados depende da intensidade, variação e tempo de exercício aplicado. Estudos associados ao processo de recuperação muscular com a administração de suplementos demonstram efeito ergogênico na relação de reposição de glicogênio muscular, redução de CK, redução de ERO’s e outras mediações (SILVA et al., 2013: VALENZUELA et al., 2020: FLEMING et al., 2020). Entre as contribuições de maior respaldo estão o uso de antioxidantes (vitamina C, Ômega 3), creatina, carboidratos, whey protein, aminoácidos essencias (livres), leucina, glutamina, cúrcuma e outros (JAGER et al., 2019: EVANS et al., 2017: STECKER et al., 2019).



A escolha de aprofundamento na creatina e aminoácidos livres se dá pelo fato de serem insumos estudados de forma aprofundada e com respaldos efetivos na literatura. Sabe-se que, potencialmente, eles podem contribuir na recuperação muscular, ainda que indiretamente assim como também associadamente (SAKKAS et al., 2009:COOPER et al., 2012).



Claramente, um dos ergogênicos mais estudados e de resultados mais eficazes pela literatura é a creatina. Por meio de uma amplitude de protocolos, os efeitos benéficos desse suplemento têm sido comprovados (HICKNER et al., 2010: FRANÇA et al., 2015: YOSHIOKA et al. 2019: BURKE et al., 2018).



De fato, é importante averiguar as necessidades, público e nível de atividade física em que o controle e prescrição são associados. Entretanto, é possível encontrar efeito positivo tanto em estudos com doenças neurodegenerativas de âmbito muscular, como sarcopenia, até em investigações de contribuição em performance em atletas de nível olímpico.



A relação mais encontrada para alguns aminoácidos livres, como a arginina, leucina e creatina, é a atribuição de melhora da velocidade de regeneração e ressíntese de ATP, citocinas pró-inflamatórias, ativação de células satélite, produção de EROS e demais relações direcionandas à otimização da recuperação muscular (NASSR et al., 2019).



Figura 1- Tipos de fadiga (central e periférica) e atuação.



Em suma, é importante que exista aprofundamento em estudos referenciais que demonstrem efetividade na recuperação de fadiga central e periférica. Bem como, especificamente, sobre como os suplementos poderiam contribuir para melhora das respostas fisiológicas e exercício.



No entanto, é fato que a creatina é útil para recuperação mas dependente do estímulo/tipo de exercício, dieta e situação de uso. Assim como a função da leucina como potencial anti-catabólico e anti-inflamatório, sendo acrescida na dieta de um atleta vegetariano, por exemplo, afim de suprir necessidades de creatina endógena, planejamento de baixa energia, além de outros fins estratégicos. Desta maneira, afirma-se que os aminoácidos citados mostram-se atuantes na recuperação de ATP, favorecimento de estoques em estímulos de alta intensidade, redução de inflamação em atividades de endurance e, quando se investiga o impacto na musculação, facilitação da síntese de glicogênio (SANTOS et al., 2004).



Para a prática de exercícios físicos ou de esportes, é primordial que se tenha energia suficiente para garantir um melhor desempenho e, consequentemente, retardar o início da fadiga (Aoi, Naito, Yoshikawa, 2006). Desta forma, é importante que além da atividade física, seja adotada uma dieta adequada, não atribuindo o desempenho do esportista somente ao consumo de suplementos alimentares.



Considerando individualidades biológicas, necessita-se de conclusões mais aprofundadas sobre o impacto real dos insumos. Ao mesmo tempo, é indiscutível a efetividade dos suplementos supra citados, mesmo que indiretamente (ROBERTS et al., 2016:NASSR et al., 2019).



Caroline Ayme Fernandes Yoshioka é nutricionista Esportiva-EEFE/USP, mestre em Suplementação-USJT, doutoranda em Esporte-UNICAMP e consultora da Ajinomoto do Brasil no Projeto Vitória.